segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Confissões

Às vezes as pessoas não me escutam. Não! Às vezes não, sempre, nunca, todos os dias, as pessoas nunca me escutam. Quero gritar, mas não consigo, tento correr, mas minhas pernas tremem, quero sumir, mas não posso...
Eu me pergunto "porque", "por que comigo?",por que achamos que as coisas ruins só acontecem conosco? Será que é porque é verdade? Mas nada de ruim acontece com ninguém, além de mim, eu sou a única pessoa azarada do mundo, a tal da estranha que todos olham e ficam comentando, eu sou aquela que olha no espelho todos os dias e tenta reconhecer a imagem refletida.
Minha melhor amiga é uma estrela e eu nem sei se ela me considera, a única coisa que sei é que eu a vejo todas as noites quando o céu está limpo e lhe conto todos os meus segredos e sonhos, que não são muitos. Não tenho nenhum amigo de verdade e não saio muito de casa, acredito que seja porque não me encaixo nesse mundo que estou, às vezes penso que estou no lugar errado ou na espécie errada. Não sou igual a ninguém, minha aparência não é das melhores, não gosto da modinha de hoje (tudo tão colorido) e acho que meus pais não me fizeram com muito amor.
Ah! Eu moro com a minha mãe, uma drogada e meu pai está preso por dirigir embriagado, um bêbado inconsequente, sem consciência dos seus atos, já violentou minha mãe diversas vezes e ela sempre teve medo de denunciá-lo. Eu já o fiz, já o denunciei várias vezes, mas quem vai acreditar numa adolescente que nem tem amigos e mal se relaciona com as pessoas? Crianças não são ouvidas, eu não sou ouvida e minha vida é um grande pesadelo.
Professores me perguntam o por quê  de uma menina tão inteligente e avançada nos estudos estar sempre tão só. Eu nunca sei o que responder. Sou apenas uma adolescente, mas tenho capacidade de passar em vestibulares bem difíceis, falo alemão, inglês e francês fluentes e estou estudando espanhol e japonês, mas não nessas escolas particulares, meus pais nunca tiveram dinheiro, eles não têm condições de me dar o que quero ou preciso, sempre estudei por conta própria, carregando livros e livros para todos os cantos. Talvez seja por isso também que as pessoas me encaram tanto, me acham estranha e não falam comigo.
Eu sou a garota que deita todas as noites na cama e molha o travesseiro, aquela que anda sempre de cabeça baixa, escutando os rumores das pessoas, a estranha dos livros, aquela que todos os dias faz os pulsos sangrarem, mas não o suficiente.

Tirinhas Dr. Pepper #1

ABDUÇÃO

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Aparências


Naquela noite, enquanto minha esposa servia o jantar, eu segurei sua mão e disse: "Tenho algo importante para te dizer". Ela se sentou e jantou sem dizer uma palavra. Pude ver sofrimento em seus olhos.
 De repente, eu também fiquei sem palavras. No entanto, eu tinha que dizer a ela o que estava pensando. Eu queria o divórcio. E abordei o assunto calmamente.
 Ela não parecia irritada pelas minhas palavras e simplesmente  perguntou em voz baixa: "Por quê?" 
Eu evitei respondê-la, o que a deixou muito brava. Ela jogou os talheres longe e gritou "você não é homem!" Naquela noite, nós não conversamos mais. Pude ouví-la chorando. Eu sabia que ela queria um motivo para o fim do nosso casamento. Mas eu não tinha uma resposta satisfatória para esta pergunta. O meu coração não pertencia a ela mais e sim  a Jane. Eu simplesmente não a amava mais, sentia pena dela. 
Me sentindo muito culpado, rascunhei um acordo de divórcio, deixando para ela a casa, nosso carro e 30% das ações da minha empresa. 


Ela tomou o papel da minha mão e o rasgou violentamente. A mulher com quem vivi pelos últimos 10 anos se tornou uma estranha para mim. Eu fiquei com dó deste desperdício de tempo e energia mas eu não voltaria atrás do que disse, pois amava a Jane profundamente. Finalmente ela começou a chorar alto na minha frente, o que já era esperado. Eu me senti libertado enquanto ela chorava. A minha obsessão por divórcio nas últimas semanas finalmente se materializava e o fim estava mais perto agora. 

No dia seguinte, eu cheguei em casa tarde e a encontrei sentada na mesa escrevendo. Eu não jantei, fui direto para a cama e dormi imediatamente, pois estava cansado depois de ter passado o dia com a Jane.

 Quando acordei no meio da noite, ela ainda estava sentada à mesa, escrevendo. Eu a ignorei e voltei a dormir.
Na manhã seguinte, ela me apresentou suas condições: ela não queria nada meu, mas pedia um mês de prazo para conceder o divórcio. Ela pediu que durante os próximos 30 dias a gente tentasse viver juntos de forma mais natural possível. As suas razões eram simples: o nosso filho faria seus exames no próximo mês e precisava de um ambiente propício para prepar-se bem, sem os problemas de ter que lidar com o rompimento de seus pais. 




Isso me pareceu razoável, mas ela acrescentou algo mais. Ela me lembrou do momento em que eu a carreguei para dentro da nossa casa no dia em que nos casamos e me pediu que durante os próximos 30 dias eu a carregasse para fora da casa todas as manhãs. Eu então percebi que ela estava completamente louca, mas aceitei sua proposta para não tornar meus próximos dias ainda mais intoleráveis. 

Eu contei para a Jane sobre o pedido da minha esposa e ela riu muito e achou a idéia totalmente absurda. "Ela pensa que impondo condições assim vai mudar alguma coisa; melhor ela encarar a situação e aceitar o divórcio”, disse Jane em tom de gozação. 

 Minha esposa e eu não tínhamos nenhum contato físico havia muito tempo, então quando eu a carreguei para fora da casa no primeiro dia, foi totalmente estranho. Nosso filho nos aplaudiu dizendo "O papai está carregando a mamãe no colo!" Suas palavras me causaram constrangimento. Do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa, eu devo ter caminhado uns 10 metros carregando minha esposa no colo. Ela fechou os olhos e disse baixinho "Não conte para o nosso filho sobre o divórcio" Eu balancei a cabeça mesmo discordando e então a coloquei no chão assim que atravessamos a porta de entrada da casa. Ela foi pegar o ônibus para o trabalho e eu dirigi para o escritório. 
No segundo dia, foi mais fácil para nós dois. Ela se apoiou no meu peito, eu senti o cheiro do perfume que ela usava. Eu então percebi que há muito tempo não prestava atenção a essa mulher. Ela certamente tinha envelhecido nestes últimos 10 anos, havia rugas no seu rosto, seu cabelo estava ficando fino e grisalho. O nosso casamento teve muito impacto nela. Por uns segundos, cheguei a pensar no que havia feito para ela estar neste estado.




No quarto dia, quando eu a levantei, senti uma certa intimidade maior com o corpo dela. Esta mulher havia dedicado 10 anos da vida dela a mim. 

No quinto dia, a mesma coisa. Eu não disse nada a Jane, mas ficava a cada dia mais fácil carregá-la do nosso quarto à porta da casa. Talvez meus músculos estejam mais firmes com o exercício, pensei. 

Certa manhã, ela estava tentando escolher um vestido. Ela experimentou uma série deles, mas não conseguia achar um que servisse. Com um suspiro, ela disse "Todos os meus vestidos estão grandes para mim". Eu então percebi que ela realmente havia emagrecido bastante, daí a facilidade em carregá-la nos últimos dias. 

A realidade caiu sobre mim com uma ponta de remorso... Ela carrega tanta dor e tristeza em seu coração... Instintivamente, eu estiquei o braço e toquei seus cabelos. 

Nosso filho entrou no quarto neste momento e disse "Pai, está na hora de você carregar a mamãe". Para ele, ver seu pai carregando sua mãe todas as manhãs tornou-se parte da rotina da casa. Minha esposa abraçou nosso filho e o segurou em seus braços por alguns longos segundos. Eu tive que sair de perto, temendo mudar de idéia agora que estava tão perto do meu objetivo. Em seguida, eu a carreguei em meus braços, do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa. Sua mão repousava em meu pescoço. Eu a segurei firme contra o meu corpo. Lembrei-me do dia do nosso casamento. 

Mas o seu corpo tão magro me deixou triste. No último dia, quando eu a segurei em meus braços, por algum motivo não conseguia mover minhas pernas. Nosso filho já tinha ido para a escola e eu me vi pronunciando estas palavras: "Eu não percebi o quanto perdemos a nossa intimidade com o tempo". 

Eu não consegui dirigir para o trabalho... Fui até o meu novo futuro endereço, saí do carro apressadamente, com medo de mudar de idéia... Subi as escadas e bati na porta do quarto. A Jane abriu a porta e eu disse a ela "Desculpe Jane. Eu não quero mais me divorciar". 

Ela olhou para mim sem acreditar e tocou na minha testa "Você está com febre?" Eu tirei sua mão da minha testa e repeti "Desculpe Jane. Eu não vou me divorciar. Meu casamento ficou chato porque nós não soubemos valorizar os pequenos detalhes da nossa vida e não por falta de amor. Agora eu percebi que desde o dia em que carreguei minha esposa no dia do nosso casamento para nossa casa, eu devo segurá-la até que a morte nos separe. 

A Jane então percebeu que era sério. Me deu um tapa no rosto, bateu a porta na minha cara e pude ouví-la chorando compulsivamente. Eu voltei para o carro e fui trabalhar. 

Na loja de flores, no caminho de volta para casa, eu comprei um buquê de rosas para minha esposa. A atendente me perguntou o que eu gostaria de escrever no cartão. Eu sorri e escrevi:  "Eu te carregarei em meus braços todas as manhãs até que a morte nos separe". 

Naquela noite, quando cheguei em casa, com um buquê de flores na mão e um grande sorriso no rosto, fui direto para o nosso quarto onde encontrei minha esposa deitada na cama - morta. 
Minha esposa estava com câncer e vinha se tratando a vários meses, mas eu estava muito ocupado com a Jane para perceber que havia algo errado com ela. Ela sabia que morreria em breve e quis poupar nosso filho dos efeitos de um divórcio - e prolongou a nossa vida juntos proporcionando ao nosso filho a imagem de nós dois juntos toda manhã. Pelo menos aos olhos do meu filho, eu sou um marido carinhoso.

Os pequenos detalhes de nossa vida são o que realmente contam num relacionamento. Não é a mansão, o carro, as propriedades, o dinheiro no banco. Estes bens criam um ambiente propício a felicidade mas não proporcionam mais do que conforto.

O que escrever no seu túmulo

O que escrever em seu túmulo se você é....



ESPÍRITA

Volto já.

INTERNAUTA


AGRÔNOMO
Favor regar o solo com Neguvon. Evita Vermes.


ALCOÓLATRA 
Enfim, sóbrio.


HISTORIADOR
Enfim, fóssil.


ASSISTENTE SOCIAL
Alguém aí, me ajude!


BROTHER
Fui.


CARTUNISTA
Partiu sem deixar traços.


DELEGADO 
Tá olhando o quê? Circulando, circulando...


ECOLOGISTA
Entrei em extinção.


ENÓLOGO 
Cadáver envelhecido em caixão de carvalho, aroma Formol e after tasting que denota presença de Microorganismos diversos.


FUNCIONÁRIO PÚBLICO
É no túmulo ao lado.


GARANHÃO
Rígido, como sempre.


HERÓI 
Corri para o lado errado.


HIPOCONDRÍACO 
Eu não disse que estava doente?!?!


HUMORISTA
Isto não tem a menor graça.


BICHINHA
Virei Purpurina

JANGADEIRO DIABÉTICO
Foi doce morrer no mar.


JUDEU
O que vocês estão fazendo aqui? Quem está tomando Conta do lojinha?


PESSIMISTA 
Aposto que está fazendo o maior frio no inferno.


PSICANALISTA 
A eternidade não passa de um complexo de superioridade mal resolvido.


SANITARISTA
Sujou!!!


SEX SYMBOL 
Agora, só a terra vai comer.


VICIADO 
Enfim, pó!


ADVOGADO
Disseram que morri.... mas vou recorrer!!!

Marylu

Oi gente!
Faz tempo que eu não posto, sei que vocês não sentem tanta falta assim das minhas postagens, mas vamos fazer de conta que sentem né...
Então como vocês amam o meu blog, adoram minhas postagens e eu me preocupo muito com os meus leitores, vou postar uma piadinha engraçadinha aqui, tá?
Então, galera, aí vai:


O marido estava sentado quieto lendo seu jornal quando sua mulher, furiosa, vem da cozinha e senta-lhe a frigideira na cabeça.
Espantado, ele levanta e pergunta: 
- Por que isso agora? 
- Isso é pelo papelzinho que eu encontrei na sua calça com o nome Marylu e um número. 
- Querida, lembra do dia em que fui na corrida de cavalos? Pois é... Marylu foi o cavalo em que eu apostei, e o número foi o quanto estavam pagando pela aposta. 

Satisfeita, a mulher saiu pedindo 1001 desculpas... Dias depois, lá estava ele novamente sentado quando leva uma nova porrada, dessa vez com a panela de pressão. 
Ainda mais espantado (e zonzo), ele pergunta: 
- O que foi dessa vez, meu amor? 
- Seu cavalo ligou...



Mil bejinhos pra vocês galera, eu realmente me importo. E eu gostaria muito que vocês visitassem sempre o meu espacinho aqui tá legal.
Até logo e comentem!